29 de mai. de 2015

34



            Modestamente, e sem grandiosidade pedante, tenho boas histórias. Já me lambuzei com a própria merda e até magro fui (não lembro, mas, são recordações da minha mãe).
            Aos 3 anos conheci o GIGANTE DA BEIRA-RIO e, desde então, garanto que assisti centenas de jogos do COLORADO no estádio.
            Com 4 anos, quebrei o braço direito ao cair de bicicleta no pátio de casa. Em uma Kombi, fui ao hospital e disse meu endereço completo e a atendente se surpreendeu. A fratura tirou, por um período, o movimento da mão e, para recuperá-lo, usei um arco com atilhos de dinheiro e passei por 3 cirurgias ao longo de 9 meses.
            No mesmo ano, acompanhei – em uma televisão de 12 Polegadas – o enterro do Tancredo Neves ao lado do meu pai. Também, recordo que meus pais terminavam filmes antes do tempo para que eu dormisse cedo. Tive um cachorro, o Figueroa – grande zagueiro do INTERNACIONAL –, e um carrinho de mão vermelho.
            Em 1986, iniciei a Pré-escola no Colégio Espírito Santo e meu primeiro lanche foi um sanduíche de Queijo de porco branco – aqui não tem – com Nescau. Na 2ª série, levei uma fita K7 do Elvis Presley (“Elvis Presley – Disco de Ouro”, lançado em 1977, no Brasil) para a aula de Educação Artística e os colegas reclamaram tanto que a Professora Alice não deixou nem tocar por inteiro a primeira música (“Kiss me quick”).
            No final da década de 1980, precisamente, em 1989, acompanhei a disputa Presidencial com 22 candidatos – tirando o Sílvio Santos – e um deles se “chamava” “Marronzinho”. Não esqueço que a filha dos meus padrinhos me disse que votou no Collor por acha-lo “bonito”.
            Já na década seguinte, em 1990, ouvi “Pet Sematary”, da banda Ramones e, assim, iniciei a ruptura com qualquer possibilidade de me tornar um medíocre. No ano seguinte, a banda Nirvana, criadora do movimento Grunge, lançou o disco “Nevermind” e a clássica “Smells Like Teen Spirit” me conquistou – até hoje!
Na virada anual, 1992, enquanto acompanhava a votação do impeachment do karateca Fernando Collor, estudava para prova de Geografia (no mesmo ano, quebrei o cotovelo esquerdo e passei por outra cirurgia). Ainda em 92, no dia 13 de Dezembro – Domingo –, estava no Beira-Rio comemorando o título da Copa do Brasil contra o então, futuro – 1999 – campeão brasileiro da série C, o Fluminense.
            Ah! Antes do Plano Real, lembro que as pessoas ganhavam milhões que não valiam porra nenhuma. Em 1994, fui até a Caixa Econômica Federal trocar o dinheiro antigo – Cruzeiro Real – por Reais e saí do Banco revoltado com uma cédula de 10 Reais, outra de 5 e duas do extinta papel fedorento de 1 Real (em Julho de 1994, o Salário mínimo era R$ 64,79).
            Ao longo dos 1990, mensalmente, ao receber a Mesada, adquiria uma fita K7 original dos Ramones. Isso aconteceu até o surgimento do CD. Meu primeiro CD foi “The legend”, do Bob Marley.
            Cara, e quando eu descobri o tal CD pirata? – que, na verdade, era uma gravação ao vivo de alguma banda de Rock! Eu visitava, em Canoas, a loja Prima Discos, onde muito aprendi sobre música. Nela, comprei o último disco dos Ramones – “Adios Amigos” –, por 25 Reais (na época, uma fortuna!), que minha avó Melina me deu. Eu dormia com o disco ao lado do travesseiro... ia ao banheiro com ele!
            Que década! Apesar da mediocridade política instalada no Brasil que privatizou o Público, a Cultura musical internacional me salvou de toda bosta midiática – se bem que a “Banheira do Gugu” era muito massa!
             No século XXI, cursando História, ao lado de uma hipponga, conheci Charles Bukowski, levei uma namoradinha no restaurante japonês para impressionar e terminei no McDonald’s, trabalhei de telemarketing, comi marmita fria, marmita com arroz e uma colherzinha de carne moída, li demais – o “livro” também! –, falei com o “Jardel”, vivi a insanidade, a loucura promíscua, namorei mulher bem mais velha, outra que se dizia maluca, lancei 8 livros, me mudei para Campos dos Goytacazes por conta de uma mulher fã do Bukowski que me enlouqueceu e tornou-se minha esposa amada. Futebolisticamente falando, ganhei 2 Libertadores da América, 1 Campeonato Mundial Fifa... enfim... me tornei CAMPEÃO DE TUDO!
            Hoje, sou Professor em 3 escolas, tenho quase 600 alunos, sou viciado no que faço, virei Funcionário Público, pago aluguel, ando com o carro da sogra, amo a Goreti, e te garanto que a inconstância da vida será mantida para me manter vivo.

Coluna nadacult, jornal Folha da Manhã de 27 de Maio de 2015, Folha Dois, página 3.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

 

Copyright © 2011 nadacult | Blogger Templates by Gô Maia Pluhar