Modestamente, e sem grandiosidade
pedante, tenho boas histórias. Já me lambuzei com a própria merda e até magro
fui (não lembro, mas, são recordações da minha mãe).
Aos 3 anos conheci o GIGANTE DA
BEIRA-RIO e, desde então, garanto que assisti centenas de jogos do COLORADO no
estádio.
Com 4 anos, quebrei o braço direito
ao cair de bicicleta no pátio de casa. Em uma Kombi, fui ao hospital e disse
meu endereço completo e a atendente se surpreendeu. A fratura tirou, por um
período, o movimento da mão e, para recuperá-lo, usei um arco com atilhos de
dinheiro e passei por 3 cirurgias ao longo de 9 meses.
No mesmo ano, acompanhei – em uma
televisão de 12 Polegadas – o enterro do Tancredo Neves ao lado do meu pai.
Também, recordo que meus pais terminavam filmes antes do tempo para que eu
dormisse cedo. Tive um cachorro, o Figueroa – grande zagueiro do INTERNACIONAL
–, e um carrinho de mão vermelho.
Em 1986, iniciei a Pré-escola no
Colégio Espírito Santo e meu primeiro lanche foi um sanduíche de Queijo de
porco branco – aqui não tem – com Nescau. Na 2ª série, levei uma fita K7 do
Elvis Presley (“Elvis Presley – Disco de Ouro”, lançado em 1977, no Brasil)
para a aula de Educação Artística e os colegas reclamaram tanto que a
Professora Alice não deixou nem tocar por inteiro a primeira música (“Kiss me
quick”).
No final da década de 1980,
precisamente, em 1989, acompanhei a disputa Presidencial com 22 candidatos –
tirando o Sílvio Santos – e um deles se “chamava” “Marronzinho”. Não esqueço
que a filha dos meus padrinhos me disse que votou no Collor por acha-lo
“bonito”.
Já na década seguinte, em 1990, ouvi
“Pet Sematary”, da banda Ramones e, assim, iniciei a ruptura com qualquer
possibilidade de me tornar um medíocre. No ano seguinte, a banda Nirvana, criadora
do movimento Grunge, lançou o disco “Nevermind” e a clássica “Smells Like Teen
Spirit” me conquistou – até hoje!
Na
virada anual, 1992, enquanto acompanhava a votação do impeachment do karateca
Fernando Collor, estudava para prova de Geografia (no mesmo ano, quebrei o
cotovelo esquerdo e passei por outra cirurgia). Ainda em 92, no dia 13 de
Dezembro – Domingo –, estava no Beira-Rio comemorando o título da Copa do
Brasil contra o então, futuro – 1999 – campeão brasileiro da série C, o
Fluminense.
Ah! Antes do Plano Real, lembro que
as pessoas ganhavam milhões que não valiam porra nenhuma. Em 1994, fui até a
Caixa Econômica Federal trocar o dinheiro antigo – Cruzeiro Real – por Reais e
saí do Banco revoltado com uma cédula de 10 Reais, outra de 5 e duas do extinta
papel fedorento de 1 Real (em Julho de 1994, o Salário mínimo era R$ 64,79).
Ao longo dos 1990, mensalmente, ao
receber a Mesada, adquiria uma fita K7 original dos Ramones. Isso aconteceu até
o surgimento do CD. Meu primeiro CD foi “The legend”, do Bob Marley.
Cara, e quando eu descobri o tal CD
pirata? – que, na verdade, era uma gravação ao vivo de alguma banda de Rock! Eu
visitava, em Canoas, a loja Prima Discos, onde muito aprendi sobre música.
Nela, comprei o último disco dos Ramones – “Adios Amigos” –, por 25 Reais (na
época, uma fortuna!), que minha avó Melina me deu. Eu dormia com o disco ao
lado do travesseiro... ia ao banheiro com ele!
Que década! Apesar da mediocridade
política instalada no Brasil que privatizou o Público, a Cultura musical
internacional me salvou de toda bosta midiática – se bem que a “Banheira do
Gugu” era muito massa!
No século XXI, cursando História, ao lado de
uma hipponga, conheci Charles Bukowski, levei uma namoradinha no restaurante
japonês para impressionar e terminei no McDonald’s, trabalhei de telemarketing,
comi marmita fria, marmita com arroz e uma colherzinha de carne moída, li
demais – o “livro” também! –, falei com o “Jardel”, vivi a insanidade, a
loucura promíscua, namorei mulher bem mais velha, outra que se dizia maluca,
lancei 8 livros, me mudei para Campos dos Goytacazes por conta de uma mulher fã
do Bukowski que me enlouqueceu e tornou-se minha esposa amada.
Futebolisticamente falando, ganhei 2 Libertadores da América, 1 Campeonato
Mundial Fifa... enfim... me tornei CAMPEÃO DE TUDO!
Hoje, sou Professor em 3 escolas,
tenho quase 600 alunos, sou viciado no que faço, virei Funcionário Público,
pago aluguel, ando com o carro da sogra, amo a Goreti, e te garanto que a
inconstância da vida será mantida para me manter vivo.
Coluna nadacult, jornal Folha da
Manhã de 27 de Maio de 2015, Folha Dois, página 3.

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